RABISCOS DE CARVÃO

Destaque

 Rabiscos de carvão,

 Riscos da vida…

Marcas no chão,

Vida pouco vivida…

 …E muito sofrida.

Pele queimada,

Ferida…

Palavras presas na garganta,

Rasga- lhe à alma,

Cinzas da solidão…

Pegadas riscadas

Na areia…

Olhos que ardem,

 Lágrimas da paixão,

Gravetos no chão

De terra batida…

Carvão queimado,

No fogão à lenha

Sem nada para cozer.

Nas paredes…

 Rabiscos de carvão…

 À beira da fonte sem água,

 Chora…

 Pálpebras cerradas

Na beira da estrada…

Vermelhas de poeira

À  cruz…

      … Silêncio…

 

Orlando Nogueira (O Poeta Carvoeiro)

 

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RIO SÃO FRANCISCO

FOTOS: Acervo do poeta

Rio São francisco Pirapora Minas Gerais, Brasil.

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 Na serra da Canastra

Corre um filete de água.

Pelas montanhas,

De Minas avança,

Como um trem desgovernado.

Ziguezagueando – se por

Entre os desfiladeiros,

O caudaloso Velho Chico.

E quando o sol  se descortina,

Chega a noite…

Cai uma tênue neblina

A lua   branca com seus raios

Vem beijar às suas águas cristalinas.

Surge uma nova aurora

O  Velho Chico chora.

Pede por socorro!

O homem  por sua ganância,

Suas águas   Poluem…

Suas matas ciliares,

Destroem…

As nascentes secam,

As dunas de areia,

O assoreiam…

Os peixes morrem,

A vida em si se esvai.

Em seu leito de morte,

        O Velho Chico …

     …agoniza!…

Orlando Nogueira (O Poeta Carvoeiro)

ERMO DO GUAICUÍ

FOTO: A cervo do Poeta

parte externa da igreja de Bom Jesus de Matozinhos distrito de Várzea da palma MG. Brasil.

ERMO DO GUAICUÍ

Parte interna da igreja.

DSCF1098No ermo do Guaicuí,

No coração do sertão.

Vê –se pedra sobre pedra

Sobre perdas de uma,

Ladainha inacabada.

Como o guardião do templo

Há uma gameleira que fascina.

As raízes entre si entrelaçam,

Como se quisesse proteger,

As paredes em ruínas.

Obra do homem

E natureza abraçam –se

Em profundo silêncio

Juntas resistem o desgaste

Do tempo impiedoso

E cruel.

Neste de encanto e magia

A é feita de intensa

 Nostalgia.

A águas do Rio das Velhas

E do rio Velho Chico,

Se encontram em perfeita

Harmonia…

 

Orlando Nogueira (O Poeta Carvoeiro)

 

 

 

 

BELÉM

Imagem Google.

BethlehemAcotoada nas colinas,

Da Galileia meridional,

A pequena cidade de Nazaré.

Por entre cactos e pedras,

A residência de José…

Que para o senso fora chamado,

Por Tibério  Cesar  decretado.

Maria preste a dá luz viaja resignada.

No lombo de um jumentinho

A   Belém ele à conduz

Na viagem fadigada…

Seguiam para o topo da colina,

Onde Belém era situada.

Por um lugar confortável sua alma ansiava.

Porém os albergues

Estava entulhado,

Pelos ricos abastados.

Restava senão aos viajantes,

Um mesquinho agasalho

Sob o teto escuro e frio,

De estrebaria…

E foi neste tugúrio que nasceu Menino Deus,

No berço jazia reclinado,

Numa manjedoura   deitado.

Aquele que  inundava os pacos celestiais.

Por coros de anjos adorado.

Por animais ladeado,

A sua glória perdura

Enquanto Belém,

For Lembrada…

Orlando Nogueira (O Poeta  Carvoeiro)

NATAL

ARTE, PRESÉPIO: Poeta Carvoeiro.

1 014Pés rotos, brilho no olhar,

Rugas marca – lhes o rosto.

Por entre as trevas surge uma luz,

Na gruta escura e fria

Nasce jesus…

Brilha a estrela no firmamento

 Os Magos conduziram   até Belém,

Possa  o brilho do céu neste momento,

Guiar – nos, ao sumo bem,

Que o grito do pecado,

Não abafem,

O seu falar…

Oh!  Que a voz do seu filho amado

Seja ouvida sem cessar.

E a mensagem de paz do coro santo.

Entregue pela hoste,

angelical….

Posso ouvir o doce canto,

E a todos alegrar,

Neste natal!…

Orlando Nogueira ( O Poeta Carvoeiro)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

LILITH

Foto: Google

LILITH VAMPIRA

Deusa do Éden,

Que do pó foste criada.

Não aceitou submissão,

Separou-se de Adão.

Vou para os céus.

Transformou-se

Em Leviatã.

Rainha das noites escuras,

Volúpia dos mares.

Ardente paixão

Adorada em altares,

Do sagrado ao profano

Maçã fruto do pecado

Terrível engano

Desceu a terra e acendeu

A flor da figueira.

Senda individuação

Demônio da luxúria

Caminho do abismo

Sedutora em ação

Cabeça de mulher

Corpo de serpente

Asas de pássaros.

Prelúdio da tentação.

Devaneio d’alma

E  da mente,

Apocalipse da paixão.

Orlando Nogueira (O Poeta Carvoeiro)

CAMINHOS

FOTO:Acervo do Poeta.

encruzilhasFOTO : Acervo do poeta..

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Caminhos por onde

Caminhei.

Montes escabrosos

Solitário andei…

Nas encruzilhadas dúvidas…

Do cálice da vida,

 Provei…

Nas quedas,

 Lágrimas derramei …

Mas foi preciso prosseguir…

Sonhos interrompidos,

Sinto falta  de lugares que não conheci,

Detalhes  despercebidos,

Amores mal resolvidos…

Embebidos de saudades.

A jornada é longa,

Cheias de pedras

E espinhos…

Mas não  estarei sozinho,

 Sei que tenho que prosseguir

Caminhos…

…caminhos…caminhos…caminhos…

 

Orlando Nogueira (O Poeta Carvoeiro)

GRITOS DA LIBERDADE

Foto: Google

MÃOS COLORIDAS

 

Navios negreiros,

Gritos e gemidos

No porões…

Vendidos como mercadorias

Banais…

Sofre as agruras da escravidão.

Nos troncos as dores,

Da solidão…

Da chibata cicatrizes

Na alma.

Enquanto o flagelo

Do feitor sofriam,

Dos mocambos,

Eco de dores,

Ouviam…

Danças e capoeiras,

Ao som do berimbau

O jongo dos cafezais

Raízes ancestrais…

 Reverencia ao mestre Nagô,

Ao som do agogô…

Correntes quebradas,

Ecoam  gritos de liberdade.

Negros libertos

Somos iguais…

Canta e dança

Juntos de pé no chão

Enfim abolição…

 

Orlando Nogueira (O Poeta Carvoeiro)

 

 

 

 

 

 

Cinzas da solidão

 

Foto: Google

carvoaarias solidão

Nuvens cinzentas,

No horizonte,

Um céu sombrio,

No cume das montanhas…

Minha alma tenebrosa entristece.

Vagas lembranças…

Como uma sala mortuária,

Que mitiga as dores,

Tristes amargores…

Meus versos são como

Pactos de sangue.

Brasas ardentes,

Remorsos em vão…

Amargo e quente.

Gotas que caí do coração…

Amor-chama, fumaça,

Marcas na memória,

Dos filhos do carvão.

Vultos do passado,

Cinzas da solidão…

Orlando Nogueira (O Poeta Carvoeiro)