TRIBUTO A TONICO E TINOCO

Hoje quero homenagear, a maior dupla caipira que existiu, eu estou falando, de João Salvador Perez o Tonico e de José Perez o Tinoco, Dupla ficou  conhecida como a dupla  Coração do Brasil. A seguir leiam o poema Tributo a Tonico e Tinoco… Esta dupla embalou meus sonhos de criança….

TONICO E TINOCO 01

O sol desponta nas montanhas

Tingindo de ouro as verdes colinas…

A névoa branca submerge das entranhas,

O orvalho cai das folhas das matas,

Nesta madruga fria…

O sabiá canta suas tristes mágoas

Na mais dolente melodia…

Me lembro a velha palhoça

No rádio belas canções,

Aquelas cantigas da roça

Amor de mãe, triste natal

E também saudade

Matão…

Numa casinha estranha

Cabocla Tereza, num idílio

De amor então morreu…

Na velha vitrola tocava,

Saco de estopa, amor de criança

 Cana verde, tristeza do jeca

Bate com pé bate com mão…

Lá na beira da estrada numa casinha existia

Uma moça sem esperança…

Que teve o destino marcado em um nó

de sua trança…

Na Aparecida do Norte

A marca da ferradura e a sorridente,

 Enfermeira, anjo celestial, que não temia

A morte….

Numa festa de rodeio numa cidade mineira,

O boiadeiro anunciava que não era brincadeira,

Contando não acredita uma mocinha bonita

A menina boiadeira montou o touro assassino

Ela era a irmã mais nova do menino

Da porteira…

Nos confins do meu sertão

Na velha vitrola tocava, o gondoleiro do amor

Destinos iguais, rei do gado e boiadeiro.

Canta peão, chora viola…

Adeus bela, adeus moçada,

  Adeus meu cão boiadeiro…

No moirão da porteira, encontrei você

Para me despedir…

Tenho uma lembrança de um versinho

 Que tão triste lhe escrevi…

 Lá no trilho da estrada pertinho da encruzilhada

 Cavalo zaino descansa debaixo do pê de ipê,

Onde  jurei amar você…

o velho carro de boi vai cortando

Estradão…

Nas velhas corruptelas descansava,

O imortal chico mineiro.

Nos braços da moreninha linda desfrutava

Os prazeres da vida, vida fútil

E passageira…

A lua testemunha, no rio Piracicaba,

A morte do canoeiro…

Esta é a história de minha vida,

Canção de andarilho, só fica a cruz do caminho,

Por entre brumas de um nevoeiro…

Das velhas pousadas apenas recordação

Rancho vazio, velho pai e canoeiro…

Tudo agora é apenas vulto, não existe,

Mais poesia…

A toada luar do sertão, acalenta a saudade

De uma triste despedida,

Nossa alma então flutua,

A lua encanta e nos seduz…

Dos sertões as flores belas,

Com que faz essas estrelas,

No céu jardim e luz….

As andorinhas fazem revoadas

 No sertão azul de anil…

 Adormece no frio chão,

Descanso merecido…

A maior dupla caipira

Que mundo existiu…

A dupla coração do Brasil…

Orlando Nogueira (O Poeta Carvoeiro)

Betim, 17/04/2020

5 comentários

  1. Minha avó materna depois que meu avô morreu, durante 10 anos não mais ouviu rádio, a exceção era às 20h30 da noite, diariamente, pedia minha irmã ou uma prima que revezavam na companhia durante à noite, para sintonizar numa rádio de São Paulo, acho que era a Cultura, e ouvia um programa apresentado pela dupla. Pelo o que minha irmã dizia, era o programa preferido de meu avô, então ela o sentia presente ao ouvir. Bela homenagem poeta. Sua nostalgia, despertou outras…

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